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Xingu: 50 anos em filme

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Um pouco mais sobre o filme 'Xingu' e outras histórias de minha viagem ao parque indígena, em reportagem publicada na revista SAX.  'Xingu' traz seis personagens índios, 20 personagens secundários e ma is de 200 figurantes /foto de Guilherme Ramalho Apenas uma lua cheia gigantesca, amarelada e misteriosa iluminava a noite no Parque Indígena do Xingu. Apesar do breu na vasta aldeia dos Ikpeng, foi mais que o bastante. A iluminação natural deu ao cenário um clima singular para a festa animada que avançou madrugada adentro. Cantos ancestrais entoados pelo obstinado pajé Araká conduziram a dança no interior e fora da enorme cabana. Em fila, homens, mulheres e crianças seguiam o ancião, incansáveis, cantando e brincando. A festa, que durou três dias, teve um motivo. Conhecidos como índios guerreiros, os Ikpeng, que vivem desde a década de 60 no Parque do Xingu, no norte do Mato Grosso, decidiram botar a mão na massa e rever a própria história. Testemunhada por uma ...

Cinema de índio

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Estive em dezembro de 2010 no cinquentenário Parque Indígena do Xingu (MT), cuja história é contada no longa "Xingu", de Cao Hamburger, que chega às telas nesta sexta, 06. Parte dessa viagem é contada na reportagem à seguir, publicada na Revista do Brasil, em abril de 2011. A matéria fala da familiaridade com câmeras fotográficas e filmadoras. Entre os ikpeng da aldeia Moyngo, no Médio Xingu, a tecnologia tornou-se instrumento de resistência cultural.  Resistência cultural via novas t ecnologias / foto de Christian Knepper No futuro, quem sabe, dirão ser rastros de civilizações antigas as imensas áreas descampadas onde se destacam enormes geoglifos, como o que avistamos da janela do monomotor que nos leva rumo ao Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. Mas o desenho no solo, em forma de sucuri, cujos contornos foram demarcados com eucalipto e soja, nada tem a ver com os indígenas da região. Desmatamento e soja avançam em direção ao Xingu/foto de Carlos Minua...

Utopias e dramas do Xingu

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Sonho dos irmãos Villas Boas chega às telas em momento de retrocesso em políticas Por Carlos Minuano  ( Foto de Paula Nogueira) “Estamos andando pra trás nas políticas indígenas", disse o diretor Cao Hamburger na pré-estreia de Xingu em São Paulo    O filme “Xingu”, de Cao Hamburger (O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias), chega às telas em um momento de retrocesso nas políticas indígenas. No mês em que é celebrado o dia do índio, pouco há para se comemorar. O Parque Indígena, criado pelos irmãos Villas Boas, cenário do filme, vive às voltas com diferentes ameaças, e em outras aldeias espalhadas pelo país, o clima é de medo, provocado por invasões do garimpo, pela ameaça constante do narcotráfico e pela violenta disputa pelas terras com fazendeiros fortemente armados. O avanço da política indigenista, expresso na saga dos irmãos Villas Boas, e bem retratado no filme, corre sério risco de ir por terra. No caso especifico do Parque Indígena do Xingu,...

Cidade Oculta

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Prédios e esgotos de São Paulo estão em exposição no site Arte Fora do Museu, com visita guiada.   Na correria quase insana do dia a dia, quantas pessoas são capazes de perceber que a cinzenta capital paulista abriga obras artísticas em muros, prédios, jardins e até em canais de esgoto? Circulando por essa “cidade oculta” dois jornalistas tiveram uma ideia: criar um site que mapeasse a arte espalhada pelas ruas de São Paulo. Assim surgiu o projeto Arte Fora do Museu. Desde meados de 2011, quando entrou no ar, o site oferece uma visita guiada por um circuito de arte praticamente desconhecido, com pinturas, esculturas, construções arquitetônicas e grafites feitos em espaços públicos, que muita gente sequer sabe que existem.  O projeto começou a tomar forma na cabeça de Felipe Lavignatti em 2007, quando foi à Faap ver uma exposição: “Fiquei espantado quando vi, no saguão de entrada da faculdade, réplicas de esculturas do Aleijadinho. É fácil saber quais obras estão em mu...

Cartunista e líder de igreja do Santo Daime é homenageado em São Paulo; chá utilizado no culto pode ganhar registro de bem cultural brasileiro

Glauco, o parque | Carta Capital

“O mundo está de olho no cinema brasileiro”, afirma Paulo Carvalho

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O mundo está de olho no cinema brasileiro. Quem afirma é Paulo Carvalho, brasileiro radicado na Alemanha desde 1989, um dos nomes responsáveis pela atual projeção da produção nacional em terras estrangeiras. Há décadas ele atua como curador de cinema latino-americano em festivais europeus. “Existe uma atenção voltada ao Brasil devido à situação política e econômica”, diz Carvalho. O Brasil também está de olho na nova safra brasileira que tem chegado às telas. Os números divulgados na última semana pela Ancine mostram isso. De acordo com o relatório, o desempenho melhorou. Sete filmes ultrapassaram um milhão de espectadores. Claro que, se chegarmos mais perto, analisarmos com mais cuidado, dá pra ver que não é bem assim, que nem tudo é festa. Boa parte da produção permanece no limbo da invisibilidade. Mas o clima é bom. E a julgar pelo que se viu na 15º Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro, o setor audiovisual deve seguir aquecido. O festival que abre o calendário audiov...

Doze anos sem o saudoso mestre e amigo, Plínio Marcos, grande bruxo e destemido repórter das quebradas do mundaréu

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Por mais que as cruentas e inglórias Batalhas do cotidiano Tornem um homem duro ou cínico O suficiente para fazê-lo indiferente Às desgraças e alegrias coletivas, Sempre haverá no seu coração, Por minúsculo que seja, Um recanto suave Onde ele guarda ecos dos sons De algum momento de amor já vivido. Bendito seja Quem souber dirigir-se A esse homem Que se deixou endurecer, De forma a atingi-lo No pequeno porém macio Núcleo da sua sensibilidade. E por aí despertá-lo, Tirá-lo da apatia, Essa grotesca Forma de auto-destruição A que por desencanto Ou medo se sujeita. E por aí inquietá-lo E comovê-lo para As lutas comuns da libertação. O ator tem esse dom. Ele tem o talento de atingir as pessoas Nos pontos onde não existem defesas. O ator, não o autor ou o diretor, Tem esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator. O público vai ao teatro por causa dele. O autor e o diretor só são bons na medida Em que dão margem a grandes interpretações. Mas o ator deve se conscientizar De que é um cristo ...

Vida das garotas de programa passa longe do glamour das telas

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CARLOS MINUANO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA Fotos: Eduardo Fahl No cinema ou na literatura, a coisa até parece fácil e divertida. Mas, na real, a vida de uma garota de programa passa longe do clima de videoclipe do sucesso de bilheteria "Bruna Surfistinha". Há duas semanas em cartaz, o filme foi assistido por mais de 1 milhão de pessoas. O longa é inspirado no livro "O Doce Veneno do Escorpião" (Panda Books), que relata as experiências de Bruna, codinome de Raquel Pacheco, 26, que viveu como garota de programa dos 17 aos 21 anos. O filme de Marcus Baldini, com Deborah Secco como Bruna, parece uma peça publicitária, mas traz um pouco do lado B da prostituição. Caso da passagem da personagem pelo chamado "baixo clero" dos bordéis, ou o famoso "vintão" -nome e preço do programa. O longa e a história real de Bruna mostram também como tudo pode começar a partir de uma brincadeira: na cena inicial, Deborah Secco encarna uma lolita que despe sua camisola vi...

Entre tapas e beijos - Edição 43 - (Fevereiro/2011) - Revista Brasileiros

Entre tapas e beijos - Edição 43 - (Fevereiro/2011) - Revista Brasileiros

Revista Fórum

Revista Fórum Segue reportagem sobre a aldeia Itapoã, em Olivença, Ilhéus, sul da Bahia. Estive lá em 2008, época em que os conflitos em torno da questão das terras ocupadas pelos índios estavam apenas começando. Hoje completam sete dias que a líder indígena desta comunidade, Cacique Valdelice, foi presa pela polícia federal. Outro duro golpe na luta deste povo foi a suspensão do processo demarcatório do território Tupinamba.

Mestres do arrasta-pé embalam Festival Internacional da Sanfona em Juazeiro, BA

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Carlos Minuano, para a revista Brasileiros Há tempos, Dominguinhos não viaja mais de avião. Ele não entrega se foi algum susto ou uma turbulência temerosa, diz apenas não querer mais. E como faz para tocar na Europa? Pergunto. "Não vou", responde com um sorriso tranquilo no rosto. "Ou vou de navio", acrescenta o mestre sanfoneiro, com toda a simpatia que lhe é peculiar, apesar do visível cansaço. Na noite anterior, o consagrado forrozeiro havia chacoalhado a pacata cidade de Juazeiro, na Bahia, com um arrasta-pé pra lá de arretado. Nem por ar, nem por mar. Para participar da segunda edição do Festival Internacional da Sanfona, Dominguinhos foi é por terra mesmo. De São Paulo, onde mora atualmente, até Juazeiro, o pernambucano de Garanhuns encarou uma longa estrada de carro. Mas diz que valeu a pena. "É bom encontrar velhos amigos e conhecer outros artistas que estão descobrindo novos horizontes." Entre os antigos companheiros que Dominguinhos reviu estava ...

Arquivos Minuanicos/Uma Noite em 67

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Carlos Minuano para a revista Brasileiros O clima lembra uma decisão de campeonato de futebol. Ânimos alterados por todos os cantos. A arena da peleja era o Teatro Paramount, centro de São Paulo, onde acontecia a final do 3o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, na noite de 21 de outubro de 1967, em meio à crescente tensão política. De um lado, artistas, que começavam a mudar os rumos da MPB, se revezavam em uma batalha de nervos, movida à canção e poesia. Do outro, uma plateia apaixonada e vibrante, que aplaudia emocionada ou criticava de forma incisiva. "De repente, vi um ovo passando a menos de um palmo de meu nariz", conta o jornalista Sérgio Cabral, um dos jurados. É esse momento histórico que capta o documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. O filme, que marca a estreia de ambos no cinema e abriu a edição deste ano do festival É Tudo Verdade. [Em cartaz desde julho, o filme ainda pode ser visto no Frei Caneca Unibanco Arteplex]. Por me...

Salles confirma filmagem de On the Road

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Por Carlos Minuano, para a revista Brasileiros Quem diria? Gus Van Sant e Jean-Luc Godard não toparam a parada e veio parar na mão do diretor brasileiro, Walter Salles, a adaptação do clássico livro On the Road, do escritor norte-americano, Jack Kerouac, lançado em 1957 (traduzido como Pé na Estrada, na edição brasileira). As filmagens começam no início de agosto em estradas dos Estados Unidos, Canadá e México. A montagem será feita no Brasil. No elenco, entretanto, nenhum brasileiro. Para os papéis principais da adaptação do romance, já estão confirmados os atores Sam Riley (Control), que interpretará o alterego de Jack Kerouac, Sal Paradise; Garrett Hedlund (Tron Legacy), escalado para viver o parceiro de estradas, Dean Moriarty; e a bela Kristen Stewart (Crepúsculo), que fará a esposa enlouquecida de Moriarty, Marylou. "Convidei Kristen Stewart há quase dois anos, depois de ter ficado impactado pela sua atuação em Na Natureza Selvagem', de Sean Penn", explica. "El...

O regresso de quem não foi

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Carlos Minuano | Para o Cultura e Mercado Dado como morto, PL Azeredo avança silenciosamente na Câmara em versão piorada. Com mais de 20 anos de acesso público à rede o Brasil ainda não tem uma legislação para o setor. Apesar do amplo marco regulatório do setor de telecomunicações durante privatizações da década de 90, ambiente digital permanece sob a mira de projetos de lei cujo foco é o direito criminal, com objetivo de tipificar condutas e criar penas. Entre as diferentes iniciativas, uma ganhou especial destaque nos últimos dois anos, provocando grande estardalhaço, pelo conteúdo controverso de seu texto. O Projeto de Lei para Crimes Eletrônicos, o PL 84/99, também chamado de Lei Azeredo – referência a seu mais fiel defensor, Eduardo Azeredo (PSDB/MG), eleito deputado na peleja eleitoral que acaba de findar. Segundo especialistas, problema do PL é que mira em crimes como pedofilia e disseminação de vírus, mas acerta em praticamente todos os usuários. No ano passado, a sociedade por...

Fomento terceirizado em SP

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Carlos Minuano | para o Cultura e Mercado Acabou a Lei de Fomento ao Teatro em São Paulo. É o que afirma parte da classe teatral paulista. Segundo interpretação de grupos artísticos, ela foi extinta – na calada da noite – pelo decreto municipal nº 51.300, do prefeito Gilberto Kassab. Fomento à dança e programa VAI também são atingidos pela medida, que está sendo interpretada como uma ‘terceirização da Lei de fomento’. Inconformados, cerca de 250 profissionais do setor cultural reuniram-se nesta quarta, 27, na Câmara Municipal para protestar contra o decreto. Um dos maiores problemas seria a criação de um sistema de convênios que pode, entre outras mudanças, colocar a administração do fomento nas mãos de OS [Organização Social], aliás, excluídas de exigências do decreto, semelhante a outras contratações relacionadas a eventos como a Virada Cultural. “O decreto permite também que a própria secretaria apresente projetos, sem licitação, imagina no que isso vai dar?”, comenta Marcio Boaro, ...

Vida de sertanista

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Carlos Minuano para a revista Brasileiros Certo dia, após a morte dos pais, três irmãos decidiram abandonar seus empregos e toda a vida que levavam em São Paulo. O motivo: queriam partir rumo a distantes rincões do País, desbravar sertões e florestas até então desconhecidos. A viagem em questão é a Expedição Roncador-Xingu que, em 1943, partiu de São Paulo rumo a regiões inóspitas do Brasil Central. Seus nomes: Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas. Impulsionados, em princípio, pelo desejo de aventuras, descortinaram o misterioso mundo dos povos indígenas. Um mundo que, como poucos, eles compreenderam e ajudaram a preservar. E ao qual, apaixonados, dedicaram - de corpo e alma - suas vidas. Embora a portaria no 77, que criou a expedição durante o governo de Getúlio Vargas, não cite as populações indígenas em nenhum momento, a caravana terminou por descobrir que as regiões, que se pensavam desabitadas, eram na verdade habitadas há séculos pelos índios. Eles não imaginavam que a viagem,...