Depois de subir morros, atravessar lagos e pisar em formigueiros no quilombo do campinho, em Paraty, seguimos viagem, eu e o fotógrafo Edu Fahl, sem comer a tal feijoada etnica, rumo à zona rural do Rio, conferir uma tal cidade digital, chamada Piraí.Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Rumo a Piraí
Depois de subir morros, atravessar lagos e pisar em formigueiros no quilombo do campinho, em Paraty, seguimos viagem, eu e o fotógrafo Edu Fahl, sem comer a tal feijoada etnica, rumo à zona rural do Rio, conferir uma tal cidade digital, chamada Piraí.Quarta-feira, Dezembro 26, 2007
Bate-papo com Gilberto Gil, em BH sobre cultura digital
Durante o evento “Teia – Tudo de todos” realizado em novembro pelo MinC, em Belo Horizonte, o ministro Gilberto Gil (Cultura) conversou durante horas sobre avanços e obstáculos da era digital. O espaço quase não foi suficiente para o número de pessoas interessadas em ver, ouvir e conversar com o ministro. Não faltaram críticas, nem aplausos.Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Incerteza entre os Pontos de Cultura
A Teia reuniu artistas das diversas regiões do país. A perspectiva de ampliação da rede para 20 mil unidades gerou críticas. Mas serão apenas 3 mil pontos novos.
Debates e apresentações da produção artística de todas as regiões do país movimentaram a segunda edição da Teia-Tudo de Todos, evento que reuniu os Pontos de Cultura apoiados pelo Ministério da Cultura, entre os dias 7 e 11 de novembro, em Belo Horizonte (MG). Cerca de 100 mil pessoas acompanharam a programação que incluiu música, cinema, vídeo, teatro, exposições e discussões sobre o futuro do programa Cultura Viva, do MinC.
As declarações do ministro Gilberto Gil ao jornal “Folha de S.Paulo”, de que gostaria de deixar a pasta em 2008, e o destino dos programas culturais marcaram as discussões no Fórum Nacional de Pontos de Cultura (FNPC) — uma das novidades desta Teia. O discurso mais freqüente, por parte da equipe do ministério, é o de que as ações já têm dimensão para serem incorporadas pela sociedade. E é da própria mobilização dos Pontos que iria depender o avanço do projeto.
A ampliação da rede de Pontos de Cultura de cerca de 680 para 20 mil, até 2010, anunciada no PAC da cultura (Mais Cultura), em vez de comemorada, recebeu críticas dos atuais conveniados. Para Catarina de Labouré, do Pontão Guerreiros Alagoanos, “o Cultura Viva é ótimo, mas esbarra em problemas operacionais”. Que ela teme ficarem piores, se a meta de crescimento for executada.
Alguns integrantes do coletivo Estúdio Livre, dedicado à difusão de mídias livres, publicaram no site uma “Carta Aberta ao Minc sobre Aplicação do PAC na Cultura”. O documento ainda “está em construção” (com menos de 1% de manifestação dos Pontos, que não deliberaram por sua publicação oficial). Reivindica mais capacitação e suporte para o software livre, como pré-requisito para seu uso em escala de massa.
Adriana Veloso, jornalista integrante do coletivo, conta que o objetivo é chamar a atenção para a falta de investimento em software livre, tanto em pesquisas como em capacitação. “O discurso do MinC é sempre favorável, mas a ação vai na direção oposta”, afirmou.O EL é parceiro do MinC, de quem recebe recursos para dar suporte aos Pontos no uso dos kits multimídia.
O medo, de acordo com a Carta Aberta, que continua em debate, é de que os usuários passem a desacreditar das ferramentas livres, por falta de estrutura de suporte. “Se for mantida a política atual (...), essa ação poderá ser prejudicial, tanto para os Pontos de Cultura, como para o desenvolvimento do software livre”.
Para o secretário de Programas e Políticas Culturais do MinC, Célio Turino, está havendo um erro no entendimento da meta de expansão. Ele explica que os 20 mil pontos citados no Mais Cultura incluem apenas 3 mil novas unidades no modelo atual dos PdCs, de convênio com entidades da sociedade civil para obtenção de kits multimídia.
Os demais são Pontos de Difusão Cultural (cineclubes e outras instituição que vão receber telão, datashow e assinatura da Programadora Brasil — DVD com 60 filmes nacionais); Pontos de Leitura, ou biblioteca comunitárias às quais serão fornecidos 500 volumes de livros e dois computadores; e Pontinhos de Cultura, para crianças, com gibitecas e brinquedotecas.
Em dezembro, avisa o secretário, devem ser lançados os editais estaduais, para a formação das redes de PdCs nos estados (veja ARede nº 27).“O modelo da política é de emancipação, mais do que de inclusão. Os excluídos de ontem são os incluídos de hoje, que se tornam os excluidores de amanhã.
É preciso cuidado, generosidade e percepção de que o Brasil é muito grande e tem muitas demandas”, diz. Sobre a possível saída do ministro, Turino acredita que os programas devam continuar. “As ações estão se encaminhando como políticas de Estado e não de um governo, de forma mais perene”. Outro tema do fórum foram as exigências do ministério na prestação de contas dos projetos, que dificultariam o repasse de verbas.
O fórum procurou sintetizar propostas de quase 400 pontos participantes, para a elaboração de uma agenda comum. Não conseguiu aprovar documento oficial, mas definiu a criação de uma comissão nacional dos Pontos de Cultura, com representantes dos Estados, do Cultura Viva e de outros segmentos.
O presidente Lula e o ministro Gilberto Gil estiveram presentes ao evento, junto a artistas como o poeta e escritor Ariano Suassuna e o dramaturgo Agusto Boal. O músico e deputado federal Frank Aguiar (PTB/SP), cotado (assim como a senadora Roseana Sarney, do PMDB) para substituir Gil, participou da abertura.
ECONOMIA CRIATIVA
A Feira de Economia Solidária, em sua quarta edição na capital mineira, foi integrada à programação da Teia. A combinação parece ter dado certo. “Por causa dos atrativos culturais, foi a melhor feira que realizamos”, afirmou Francisca Maria da Silva, coordenadora do Fórum Mineiro de Economia Popular Solidária.
Economia Solidária é o nome dado à produção feita de forma associativa ou cooperativista. Nela, os trabalhadores controlam todas as etapas do processo, incluindo a venda direta ao consumidor, eliminando a figura do atravessador. De acordo com Francisca, Minas Gerais possui mais de 1 mil empreendimentos desse tipo mapeados pelo Ministério do Trabalho, que empregam cerca de 15 mil pessoas.
Entre os produtos, artesanatos, roupas, e alimentos. No Brasil, segundo dados da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), a atividade responde por cerca de 20 mil empreendimentos e da ordem de 2 milhões de empregos diretos.
http://www.teia2007.org.br/http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=CartaPACMinC - a “Carta” em construção
Carlos Minuano, para a revista ARede
[Colaborou Verônica Couto]
Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
Em edição de luxo e papel reciclado, HQ "Estórias Gerais" recria o universo do cangaço e presta homenagem à cultura popular
Como um Grande Sertão - Veredas dos quadrinhos, "Estórias Gerais", da dupla Wellington Srbek e Flavio Colin, faz reverência a um Brasil ainda pouco conhecido. Em edição de luxo e papel reciclado, traz lendas e histórias sobre o universo do cangaço e resgata a magia do sertão mineiro. O autor, no texto que abre a HQ, conta que a idéia surgiu de seu mergulho na literatura brasileira, pela qual se declara apaixonado. "As palavras possuem sabor e alimentam", afirma."Estórias Gerais" pode ser um bom começo para quem ainda duvida disso.
Para ele, ler uma obra-prima é como fazer um pacto às avessas. "A gente ganha uma alma novinha e melhorada", diz. Mas, em troca, é preciso retribuir, acrescenta. Pode ser uma música, um poema ou, então, uma história em quadrinhos, caso de Srbek e Colin. No álbum, que acaba de ser lançado, é possível encontrar a marca de muitos autores, como Guimarães Rosa - da obra acima citada e um sabor genuinamente brasileiro, claro.
Seja no texto bem elaborado do mineiro Srbek ou na arte primorosa do carioca Colin -um dos grandes mestres dos quadrinhos, falecido em 2002 -, os dois, ao misturarem mito e realidade, compõem uma obra que é, ao mesmo instante, a metáfora de uma nação de muitas faces e uma homenagem à cultura brasileira mais popular.
O cenário é o pobre e distante vilarejo fictício de Buritizal, no oeste mineiro, durante a década de vinte, às margens do famoso rio São Francisco. No centro da trama, o embate violento entre dois bandos, o de Manoel Grande e o de Antonio Mortalma, temido pela fama de que teria vendido a alma ao diabo.
A saga é acompanhada pelo atento Ulisses de Araújo, jornalista cuja tarefa inglória é a de registrar as histórias e lendas por trás dos famigerados bandoleiros. Com os óculos quebrados, o intrépido repórter arremata no fim da história: "Certamente desconhecemos nossa própria nação, por prepotência a olhamos com olhar de estrangeiro".
A acuidade na recomposição do universo dos jagunços do norte mineiro, retratados no texto de Srbek, é resultado de uma ampla pesquisa histórica. "Vasculhei inúmeros jornais da década de 20, além de vários livros e documentários sobre a época", conta. Ele reconhece, no entanto, que a inspiração maior veio mesmo do clássico de Guimarães Rosa, "Grande Sertão - Veredas". "Fui tomado por aquela narrativa fantástica e peculiar".
Mas não se trata de uma adaptação. Segundo ele é uma declaração de amor à literatura e ao país. "Quando alguém se lança no processo de criação artística tem, à sua frente, infinitas possibilidades de temas e abordagens", observa Srbek. No caso de "Estórias Gerais" a opção foi falar do Brasil, da primeira à última página. "É uma reflexão sobre uma parte de nossa realidade cultural esquecida pelos cartunistas nacionais bastante influenciados pelo quadrinho estrangeiro", ressalta.
LIVROS SUSTENTÁVEIS
"Estórias Gerais", produzido em 1998, chegou a ter uma edição independente em 2001, viabilizada pela lei de incentivo a cultura de Belo Horizonte. Mesmo com tiragem limitada e distribuição capenga, levou dois HQ Mix e dois troféus Ângelo Agostini, os prêmios mais importantes do quadrinho nacional. O sucesso rendeu ao livro uma edição espanhola, em 2006, pela editora Editions du Ponent com o título "Tierra de Historias".
A obra ganha agora uma merecida republicação em sua língua pátria, enriquecida por um detalhe valoroso: é toda impressa em papel reciclado. Sem dúvida, um bom exemplo para o mercado editorial brasileiro ao apontar soluções sustentáveis para o setor. Na opinião do autor, além da contribuição com a questão ambiental, o uso do papel reciclado colaborou na estética, por se ajustar ao tema relacionado às raízes brasileiras. "O livro agora vem com a cor e o cheiro da terra".
[Carlos Minuano, para o Planeta Sustentável, editora Abril]

