Quinta-feira, Junho 08, 2006

A revolução social da Comuna de Paris

ARTE & HISTÓRIA (em quadrinhos)

Durante dois meses, na França, a utopia de uma democracia proletária tomou o poder. Um álbum de quadrinhos com dois volumes, “O Grito do Povo - Os canhões de 18 de março” e “O testamento das ruínas”, de Jean Vautrin e Jacques Tardi, resgatam a revolução dos operários parisienses com ares de romance policial.

Carlos Minuano – especial para Carta Maior

O recente manifesto estudantil, ocorrido em Paris, contra a lei do primeiro emprego –classificada pela maioria como reacionária – reafirma uma tradição francesa: a das insurgências populares de rua. Um dos primeiros registros dessa tendência, um episódio que ficou conhecido como a Comuna de Paris, acendeu no país, entre março e maio de 1871, as chamas da justiça social que semearia no povo ao longo da história daquele país o sentimento libertário e a sede revolucionária que ainda ousa sonhar com um país onde exista de fato liberdade, igualdade e fraternidade.

É louvável toda iniciativa de desfazer a cortina de fumaça que ainda encobre eventos como o da Comuna de Paris. Contrariando a lógica das modas e do mercado, chegou recentemente às livrarias um álbum de quadrinhos que merece aplausos. “O Grito do Povo - Os canhões de 18 de março” e “O testamento das ruínas”, de Jean Vautrin e Jacques Tardi (2 volumes – Editora Conrad), lançam luz sobre um dos capítulos mais importantes da história política moderna, esquecido, no entanto, pelos livros.

Em janeiro de 1871, a Alemanha desfilava seu exercito pela cidade rendida, após uma vergonhosa derrota do exercito de Napoleão III, em uma guerra movida por interesses escusos da elite francesa. Momento histórico em que o povo parisiense enfurecido - não os bacanas, mas as lavadeiras, as prostitutas, os operários - decide lutar contra a invasão alemã e tomar o poder da cidade. “Com suas utopias generosas, a Comuna de Paris, durante dois meses e meio, iluminou o mundo conservador”, afirma Jean Vautrin, na introdução que abre o livro.

VIVA LA COMMUNE
Uma acentuada cisão social se fazia notar na Paris de 1870, conhecida então como a Cidade da Luz. Para que os suntuosos palácios fossem construídos (referência mundial de elegância), a classe pobre, despejada do centro da cidade, era obrigada a viver em favelas na periferia. Naquele período, de desespero para muitos, a derrubada do governo, embora parecesse uma tolice, era um desejo constante do povo que sonhava com uma nova sociedade. O crescente desenvolvimento da indústria local gerava uma massa cada vez maior de trabalhadores urbanos que, por sua vez, organizavam-se em associações e sindicatos, criando as condições que levariam logo mais à explosão do primeiro levante operário da historia.

Na França, o cenário da luta pela auto-emancipação dos trabalhadores no século XIX começou a ficar mais favorável a partir da queda de Napoleão III. Entre o proletariado aumentava a simpatia com as idéias socialistas desencadeando uma brutal perseguição principalmente contra o operariado. A Alemanha começava a expandir seu império e a aristocracia francesa passou a sentir-se ameaçada internamente. Pouco se importando com uma avaliação exata da correlação de forças e confiante de seu poder, Napoleão III, apoiado pela elite francesa, lança o país em uma guerra movida por motivos tolos na qual sofre uma derrota vergonhosa contra os alemães. O que seria, segundo a imprensa local da época, uma guerrinha rápida em que os alemães não levariam a menor chance, evidenciou-se como um lamentável equívoco, que levou o país, em janeiro de 1871, àdeclaração de um armistício, negociado pelo novo governo, de Adolphe Thiers, assumindo praticamente a rendição.

Em março de 1871, revoltado com os canhões alemães que invadiam as ruas de Paris e a inércia submissa de uma elite anteriormente arrogante, o povo decide lançar-se em defesa da cidade. Durante dois meses, a classe operária parisiense alcançou um intento insólito: destituiu o poder político da elite burguesa local, tomou o poder e colocou em prática a utopia de uma democracia proletária, que ficou conhecida como a Comuna de Paris. “Foi uma organização heróica que, além de enfrentar a aristocracia rendida, revelou lideranças legítimas que não se afastaram do povo”, observa Rui Magrini, doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo.

AUTOGESTÃO OPERÁRIA
O movimento revolucionário empreendido pela classe trabalhadora parisiense, entre abril e maio de 1871, concebeu e colocou em marcha uma série de ações com o objetivo de destituir o Estado burguês e, em seu lugar, instalar uma sociedade socialista autogestionária e a democracia direta. “Pela primeira vez o proletariado teve nas mãos o poder”, lembra Cláudio Nascimento, coordenador de formação da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho. Para ele, o significado político da Comuna de Paris ainda é imenso, “por meio da tomada do Estado, cidade e fábricas passaram para o controle dos trabalhadores, dando lugar a uma nova política, popular e operária, com base na autogestão”, analisa ele.

Durante aqueles dias turbulentos da insurgência popular em Paris, um grande número de fábricas foram abandonadas por seus patrões, deixando às moscas até mesmo serviços essenciais à comunidade. Com isso, as idéias revolucionárias da Comuna puderam ser colocadas em prática pelos trabalhadores. “Toda a organização anterior, exploratória, foi demolida pelos operários da Comuna”, conta Nascimento, que adaptou o programa da Comuna para atividades de formação política na Central Única dos Trabalhadores (CUT). No novo modelo de administração, segundo ele, “os operários nomeavam os seus diretores, chefes de equipe, etc. Tinham também o direito de revogá-los e poder de decisão sobre seus salários, horários e condições de trabalho”.

Armando Boito Junior, professor do departamento de ciência política da Unicamp e organizador da coletânea “A Comuna de Paris na História” ( Editora Xamã, 2001) vê a Comuna como um dos mais importantes capítulos da historia dos trabalhadores: “Ocorreu uma socialização do poder político, que poderia ter sido ainda mais completa com a socialização da economia e a transferência dos meios de produção para os trabalhadores organizados”. Vale lembrar, porém, que isso não ocorreu.

UTOPIA, SANGUE E ESQUECIMENTO
As medidas elaboradas pela Comuna para construção de um mundo mais igualitário foram divulgadas no dia 28 de março em uma carta que chamava a população para a construção de uma federação de comunas livres e independentes, chamada Proclamação da Comuna ao Povo de Paris. Entre os objetivos, destacavam-se o combate às burocracias das estatais, fim do exército e sua substituição por milícias populares, formação de conselhos operários nas fábricas, redução da jornada de trabalho e reforma do ensino. No cerne dessas idéias estavam presentes muitas correntes revolucionárias, como o anarquismo de Bakunin, para quem, “a Comuna foi uma negação audaciosa do Estado e a exaltação da ação popular”.

O sucesso da comuna, porém, durou muito pouco, apenas dois meses, até que o tratado de paz entre a França e Alemanha fosse assinado. Logo em seguida as tropas de Thiers invadiram Paris e executaram, sem julgamento, cerca de 20 mil pessoas em uma batalha cruel que ficou conhecida pelos historiadores como semana sangrenta, finda no dia 28 de maio de 1871, quando caiu a ultima barricada da Comuna.

Apesar da importância histórica e política da Comuna de Paris, ela é até hoje pouco lembrada. Para Armando Boito, da Unicamp, um exemplo desse esquecimento é o desinteresse da grande imprensa pela Comuna, algo que, porém, em sua opinião é também óbvio e previsível. “Para os defensores do capitalismo é interessante ocultar a capacidade de luta e de organização demonstrada pelos trabalhadores”. Até mesmo na França, o episódio passa despercebido, a despeito de sua incisiva relevância política. “Aquele momento foi um importante marco por mostrar a insatisfação do povo contra o regime Bonapartista, que fazia crescer a opulência da burguesia às custas da miséria de grande parte da população”, analisa o sociólogo Magrini. Ele conta que durante uma viagem a Paris descobriu que o tema sequer aparece nos currículos escolares. A paixão pelo assunto e o desconhecimento geral que ele percebeu o inspirou a escrever o romance “Paris 1870” (Gass Editora/2005), no qual conta a história daqueles dias utópicos em linguagem de roteiro de cinema.

A amnésia, felizmente, não é geral, ainda hoje, os efeitos da Comuna de Paris são sentidos, incluindo, aliás, o Brasil. Desde a década de 60 – por aqui, a partir da segunda metade dos anos 90, diversos países assistiram uma retomada das experiências baseadas na autogestão inventada na remota Paris de 1870. “Essas experiências ganharam o nome de economia popular e solidária”, explica Cláudio Nascimento, do Ministério do Trabalho. “Em resumo, são empresas de vários ramos comerciais, que, após a falência, são geridas pelos trabalhadores”, conta ele.

No campo das experiências de empresas de autogestão no Brasil, Nascimento destaca como base fundamental a gestão democrática e a prática da democracia direta: “São imprescindíveis a realização de assembléias, rotatividade nos postos de trabalho e uma visão de propriedade social dos meios de produção”. Segundo ele, no Fórum Social deste ano, realizado em Caracas, na Venezuela, essas experiências foram destaques em várias atividades. “O governo Chaves criou em seu país o Ministério da Economia Solidária articulada a uma proposta estratégica de Política Nacional”, conclui Nascimento.

QUADRINHOS RESGATA REVOLUÇÃO ESQUECIDA PELOS LIVROS
Por meio dos quadrinhos um esforço notável tenta trazer do limbo do esquecimento o episódio da Comuna de Paris. Em “O Grito do Povo - Os canhões de 18 de março” e “O testamento das ruínas”, de Jean Vautrin e Jacques Tardi (Editora Conrad), lançado recentemente, há um recuo da grande história para que outros contornos ganhem definição: o de seus personagens. Dentro do emaranhado de fatos da história do movimento operário, surge um cotidiano repleto de amores e vinganças. Na narrativa, idealizada pelo cineasta Jean Vautrin, membro da Academia Francesa de Letras, a revolução dos operários parisienses ganha ares de romance policial. Ele conta, no texto que abre a edição do primeiro volume, que sua intenção era mostrar as alegrias, os amores e os excessos de um povo, sufocado e explorado ao extremo, cujo entusiasmo renasceu repentinamente durante a Comuna: “Quis narrar o nascimento de uma fantástica esperança de justiça social”.

As imagens de “O Grito do Povo” são assinadas por Jaques Tardi, artista famoso pelo cartaz do filme “E La Nave Va” de Federico Felini. Com seu estilo fiel e cuidadoso, ele redescobriu nome de ruas, reconstituiu a arquitetura, o modo de vida, a topografia e o vocabulário daquela época. Considerado um dos maiores quadrinistas franceses, Tardi deu rosto aos personagens da velha Comuna e também aos bandidos, militares e personagens históricos que viveram aquele período, como o odiado Thiers e a percussora do movimento feminista, Louise Michel. Com seu estilo expressionista, ressaltou o drama e a paixão daqueles dias explosivos. Como declara Vautrin em seu texto de abertura, “momento de uma grandeza revolucionária que sempre fará eco ao lamento dos oprimidos”.
Carta Maior

Terça-feira, Junho 06, 2006

Os dois lados do lixo

Por Carlos Minuano e Max Gonçalves

Dona Geralda, apelido de Maria das Graças Marçal, é uma das mais antigas catadoras de papel da cidade de Belo Horizonte. Vinda do interior de Minas para a capital em busca de uma vida melhor, ela faz parte da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), uma cooperativa que recolhe 450 toneladas de lixo por mês e beneficia indiretamente 1500 pessoas. Ouvida pela Fórum há dois anos, ela dizia ter um sonho. “Queremos transformar a Asmare em uma indústria de reciclagem e, assim, fechar todo o ciclo produtivo”. Em setembro, o sonho de dona Geralda se realizou. Foi inaugurada na capital mineira a primeira unidade industrial de reciclagem de plástico da América Latina, fruto de uma parceria dos catadores com a Fundação Banco do Brasil, BrasilPrev, Ministério do Trabalho e Emprego, Petrobrás e a prefeitura de BH. A fábrica tem inicialmente capacidade de produção superior a três toneladas e agora os trabalhadores finalmente dominam toda a cadeia produtiva da reciclagem. “Tem jeito, gente. É só unir, acreditar e lutar. Ninguém mais vai explorar a gente”, comemorou dona Geralda durante a inauguração da fábrica no 4º Festival de Lixo e Cidadania.
O prefeito Fernando Pimentel se mostrou bastante otimista com a iniciativa, destacando que a indústria vai gerar empregos, renda e bem estar social. “Estamos no início da caminhada. O nosso compromisso é construir uma cidade digna, que dê oportunidades iguais a todos. Essa unidade industrial insere-se nesse objetivo”. Também presente ao evento, Danielle Mitterrand, ex-primeira dama da França e presidente da Fundação France Libertés ressaltou a importância do projeto. “As últimas catástrofes naturais mostram que a natureza se vinga das nossas políticas neoliberais irresponsáveis. Os resíduos sólidos são conseqüência do consumismo. Os catadores, com a nobreza de nada destruir e sim adaptar, mostram para o mundo que é possível governá-lo de outra maneira, com respeito e gratidão à vida”. A gestão da indústria estará nas mãos da Rede de Economia Solidária, envolvendo oito associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, explica que o apoio aos catadores começou em 2003, com o Programa Fome Zero, do governo Lula. “Decidimos que a ação da Fundação priorizaria os trabalhadores que se encontravam nos lixões e nas ruas das grandes cidades, os quilombolas, os indígenas e os trabalhadores da reforma agrária”, esclarece. “Esse projeto da indústria dos catadores aqui em BH é emblemático para nós. Está entre os quatro prioritários que temos no país e nosso desafio é repeti-lo em outras cidades”, completa.
José Aparecido Gonçalves, o Cido, coordenador de projetos da Pastoral de Rua de Belo Horizonte, explica que os ganhos da produção serão repartidos: 50% serão investidos na indústria, 40% divididos entre os associados (hoje em torno de 600 pessoas) e 10% terão como destino os cofres das prefeituras da região metropolitana, para serem investidos em novos projetos sociais. “O município que não der o justo destino a esse dinheiro, será cortado do projeto”, avisa Cido.
Enquanto isso, em São Paulo...Se em Belo Horizonte quem trabalha com material reciclável está conseguindo avanços em termos de estrutura, em São Paulo a realidade é bem diferente. Centenas de catadores da região central podem ser obrigados a abandonar seu local de trabalho. A ameaça vem de uma proposta apresentada em julho pela subprefeitura da Sé, que pretende encaminhá-los para uma usina que está sendo construída na Vila Maria, zona norte da cidade. "A subprefeitura não sentou com nenhum de nós para discutir essa proposta", reclama Carlos Antonio dos Reis, conhecido como Carlão, coordenador do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais.
“A prefeitura quer nos retirar do centro, mas é aqui que moramos, queremos o direito de trabalhar onde vivemos”, concorda Igor Calheiros, também catador. Contrariados com a falta de diálogo, eles reclamam de ter que abandonar o lugar onde há anos vivem e trabalham. Muitos possuem vínculos antigos com o local, têm filhos em escolas da região, são conhecidos e apoiados pelos moradores e por empresas.
Estimativas do Instituto Pólis apontam que hoje, na cidade de São Paulo, cerca de 20 mil pessoas vivam da coleta de recicláveis. Desse total, em média três mil seriam moradores de rua, de acordo com dados de levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Atualmente, na região central da cidade - ponto nevrálgico do imbróglio - há quatro cooperativas que representam oportunidade de trabalho para aproximadamente 600 pessoas. Por trás do número, uma garantia, ainda que mínima, de alimentação, moradia e sobrevivência para varias famílias.
Entre os catadores, um sentimento é praticamente unânime. O medo de perder o pouco que possuem. Aparecido Marcolino de Oliveira, de 56 anos, é um deles. Após 40 anos trabalhando em diferentes ocupações, ele hoje enfrenta o desemprego. Sem aposentadoria e com sete filhos para criar, a alternativa que encontrou foi a carroça e a reciclagem de lixo. Ele não gosta da idéia de ir para uma usina na Vila Maria, e promete que irá lutar para defender seu trabalho. “A gente não ganha o que merece, mas o prato de comida na mesa lá de casa não falta”, pondera.
Há mais de vinte anos esses trabalhadores se organizam e lutam pelo reconhecimento da atividade como uma categoria profissional. Desde 1999, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis é o núcleo responsável pela articulação política da categoria. Uma de suas principais conquistas foi justamente a inclusão da atividade dos catadores na Classificação Brasileira de Ocupações. Carlão, coordenador do movimento, explica que, para quem é vitima diária do preconceito, esse reconhecimento é muito importante: "Até então éramos conhecidos apenas como catador de lixo, carroceiro", lembra. Entretanto, a opinião sobre a importância do trabalho dos catadores não é unânime.
O subprefeito da Sé os responsabiliza pela criação de mini lixões na cidade, o que, em sua opinião, é mais um motivo para retirá-los do centro. Essa operação de retirada, chamada pelos catadores de "operação limpeza", faz parte de um amplo projeto de revitalização da região central. Desde março deste ano, um conjunto de ações polêmicas tem sido empreendido, entre elas, o fechamento da "cracolândia", o cerco aos camelôs e mais recentemente a abertura de alguns calçadões. Para o vereador Paulo Teixeira (PT), se houvesse um real interesse da prefeitura em manter os catadores no processo de reciclagem, seriam tomadas outras atitudes, como a abertura de linhas de financiamento para compra de veículos para coleta. Para Teixeira, deslocá-los para o bairro da Vila Maria é uma maneira de quebrar a espinha dorsal desses movimentos que se encontram organizados no centro. "É uma visão elitista do subprefeito, uma forma de limpeza social".
Os catadores do centro não são as únicas vítimas da sanha higienista da prefeitura.
Em setembro, uma cooperativa de catadores de Pinheiros, bairro nobre da capital, recebeu uma ordem de despejo por parte da prefeitura do local onde estavam instalados desde 1989. Com as incertezas que pairam sobre seu trabalho e o receio de não terem mais como sustentar suas famílias, Carlão resume o medo daqueles que trabalham com lixo na cidade. "Será que o nosso trabalho vai ser valorizado se aceitarmos ir para a usina da Vila Maria? Para a maioria, o que está por vir é um novo massacre", se referindo à chacina dos moradores de rua, na Sé, em agosto de 2004. Mas, desta vez, segundo os catadores, um massacre anunciado.
Revista Fórum

Plínio Marcos revisitado

Por Carlos Minuano

Talvez ele tenha sido um dos artistas mais perseguidos pela ditadura brasileira. Foi acusado de subversivo e preso inúmeras vezes por conta de suas peças que revelavam, sem retoques, a realidade que não interessava ao governo de plantão. Graças a isso, sua obra foi proibida por duas longas décadas. Mas hoje, Plínio Marcos, é consagrado pela crítica como um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira e uma série de homenagens busca resgatar a sua obra.

Um desses tributos é a nova edição de A Navalha na Carne, lançada pela Azougue Editorial (160 págs., R$ 46,00). Com um projeto gráfico diferenciado, todo ilustrado por fotos em preto-e-branco, em alto contraste, o livro traz o ambiente marginal da peça. Os diálogos utilizam letras em vários tamanhos para indicar os níveis de intensidade dramática de cada cena. Algumas páginas são ocupadas por uma única frase, outras apenas por uma foto, que também variam de tamanho com o mesmo objetivo.

Embora a edição de luxo pareça inovadora e moderna, é na realidade uma reprodução fac-símile da edição original lançada em 68. O livro, por essas contradições insondáveis do destino, nasceu graças à perseguição da ditadura militar quando, ainda durante os ensaios, em 67, a peça A Navalha na Carne teve sua apresentação proibida. A alternativa, para que ela não adormecesse anos na gaveta, foi lançá-la em livro. Outra homenagem chega pelo cinema. No inicio de 2006 deve chegar às telas Querô, do cineasta Carlos Cortez, baseado no livro Querô, Uma Reportagem Maldita, publicado em 1976 e relançado pela Editora Publisher Brasil (96 págs., R$ 18,00) O filme conta a história de um garoto pobre, filho de uma prostituta e de como ele desandou por uma infeliz e dolorosa jornada pelo submundo do crime e da violência. Cortez conta que usou o livro como bússola, mas informa que fez algumas adaptações. “Mudamos algumas coisas para não chocar o público. No livro, se a barra pesar você tem a opção de fechá-lo, no cinema isso não é possível”, observa o diretor. Gravado em maio e junho deste ano, o filme teve em seu elenco crianças carentes encontradas em favelas e cortiços da zona portuária de Santos. “São jovens que conhecem a realidade tratada no filme”, explica Cortez.

Outra novidade quem traz é Kiko Barros, 38, filho de Plínio Marcos, e atualmente responsável pela obra de seu pai. Em entrevista à Fórum, ele falou sobre o projeto de um CD que será produzido a partir de uma gravação registrada no vinil, Plínio Marcos em Prosa e Samba, de 1973, que foi realizada durante uma série de shows que fazia com amigos sambistas, no começo de sua carreira em São Paulo. Por meio das historias de Toniquinho Batuqueiro, Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, Plínio resgata também a desconhecida historia do samba paulista. Em um país carente de memória cultural, é uma importante contribuição para o registro desse período. Kiko, no entanto, não arrisca uma data para o lançamento do CD. Segundo ele, o projeto envolve várias famílias e há ainda uma serie de etapas burocráticas.

Além das homenagens, Kiko pretende também desfazer o que ele considera alguns equívocos, como o estigma de “maldito” associado a Plínio Marcos por seu mergulho nas profundezas sórdidas da alma humana. Para Kiko, seu pai é incompreendido até hoje. “Ele é, na verdade, uma luz no fim do túnel, nutria um profundo amor pela raça humana, e, por isso mesmo, denunciou em sua obra, durante toda a sua vida, a destruição do homem pelo próprio homem.”

Para saber mais sobre Plínio Marcos, acesse o site oficial (www.pliniomarcos.com).

Revista Fórum
Rebeliões rítmicas

No CD independente Rebelião na Zona Fantasma, poesias revestidas com o clima do velho blues do delta do Mississipi

Carlos Minuano
Agência Carta Maior

Disco de poesia ou versos com música de fundo? Talvez as duas opções estejam corretas, mas a sensação ao ouvir o CD “Rebelião na Zona Fantasma”, do poeta Ademir Assunção, que acaba de sair do forno, é de que há algo mais. O autor mistura em sua panela diabólica entonações e ritmos que revestem as palavras com o clima do velho blues do delta do Mississipi. Inclui ainda pitadas da cadência rítmica típica do jazz e do rock.Resultado de mais de dez anos de produção, incluindo mais dois de estúdio, o trabalho inova. Com a colaboração de amigos, como Zeca Baleiro e Edvaldo Santana, Ademir agarra nos dentes sua poesia e se recusa a ser um mero letrista. Faz questão de levar suas composições ao palco. No centro de sua busca, nasce um lugar de fusão entre a musica e a poesia. “Queria que elas estivessem no mesmo plano, ou mais que isso, uma dentro da outra como esqueleto e corpo” - conta o autor.
Formado em jornalismo, Ademir Assunção tem estrada. Seus 43 anos foram ocupados com trabalhos em grandes jornais e revistas, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Istoé. Mas orgulho, mesmo, ele sente é de sua quilometragem poética. Em seu currículo constam parcerias gravadas com o compositor Itamar Assunção (de quem não é parente, vale dizer), cinco livros de poesia, contos e crônicas. Atualmente, é editor de uma revista independente de literatura, a Coyote.
Independência

Apesar da trajetória rica, o poeta teve dificuldades para lançar seu primeiro CD. As gravações somente puderam começar após a venda de seu automóvel, um velho Verona. O álbum é vendido apenas pela Internet e não conta com estratégias de divulgação mais apuradas. “Não estava interessado em me submeter à lógica do mercado, e se eu ficasse esperando alguma gravadora se interessar o CD não sairia”, dispara Assunção.
O autor é um entre os vários artistas que não encontram espaço na grande indústria musical que, temerária de fracassos e prejuízos financeiros, quase sempre prefere o óbvio, atalho certeiro ao lucro. “Nesse jogo, o público sai perdendo. Tem muita produção criativa Brasil afora. Mas a difusão disso tudo é medíocre”, observa Ademir. Revoltado com os ditames de um mercado aparentemente inacessível, ele encontrou na internet uma forma de superar os bloqueios e divulgar seu trabalho.“Não tenho dinheiro para pagar jabá em rádios. Se tocasse, tenho certeza que mais pessoas se interessariam. Mas os donos dos meios de comunicação privam o publico de informação, é uma espécie de censura branca.”
Ademir Assunção, apesar da bronca, não parece muito zangado com mercado ou coisas do tipo. Para ele, o foco está na arte. Foi com esse objetivo que convidou o cantor e compositor, Zeca Baleiro para interpretar uma de suas poesias, “Câmera Indiscreta”. “É um soneto urbano, cinematográfico, melancólico que combinava com a sensibilidade poética do Zeca”, conta Ademir. Para quem quiser conferir, a música é uma das faixas do CD “Rebelião na Zona Fantasma”, que pode ser adquirido através do e-mail:
zonafantasma@uol.com.br. Outras composições estão disponíveis no site do autor, www.zonafantasma.uol.com.br.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Nas águas do rio Tietê, os paradoxos do Brasil

QUARTA PAREDE
Grupo Teatro da Vertigem, que já encenou peças em igreja, hospital e presídio, invade agora as águas poluídas do rio Tietê. Durante o espetáculo BR-3, os personagens navegam por um país repleto de contradições.
Carlos Minuano

Teatro em espaços diferenciados não é exatamente uma novidade. Pelo mundo afora, várias experiências do gênero já quase esgotaram a fórmula. Quase, pois a peça BR-3, que o Teatro da Vertigem acaba de estrear em São Paulo, extrapola as expectativas. O grupo, que já encenou em igreja, hospital e presídio, invade agora as águas poluídas do rio Tietê, onde os personagens navegam por décadas de um Brasil repleto de contradições.
Ao longo do leito do principal rio da capital paulista, 13 atores esgueiram-se por margens, sob pontes, saídas de córrego ou em um pequeno barco a motor. Eles contam a história de Jovelina (Marilia de Santis), que sai à procura do marido enviado para trabalhar na construção de Brasília. Sem sucesso na busca, ela acaba tornando-se traficante na vila Brasilândia, periferia paulista. Por três gerações de sua família, desencontros e fatalidades que encontram no ambiente de degradação do Tietê o cenário perfeito.
Quem encarou o desafio de conceber um texto para ser encenado sobre as águas do velho rio foi o escritor Bernardo Carvalho. A pedido do diretor Antonio Araújo, o autor enredou em sua trama três lugares distintos do país. BR-3 conecta Brasília, Brasiléia e Vila Brasilândia e escancara um Brasil múltiplo e paradoxal, onde o desenvolvimento e o atraso, o religioso e o profano navegam de mãos dadas e se fundem com o cenário nada convencional.
UM PAÍS À ESPERA DO FUTURO
A aventura que chega agora ao publico é fruto de mais de três anos de uma extensa pesquisa que incluiu uma viagem pelo interior do país e uma temporada na periferia paulistana. Após as andanças pelos cafundós brasileiros, Carvalho decidiu escrever uma peça que falasse sobre a realidade desse Brasil que encontrou durante a viagem, segundo ele, “um país sempre a espera de um desenvolvimento que nunca chega”. “Nosso projeto de modernidade foi à falência, o Tietê é um exemplo disso”, afirma o autor, que assina pela primeira vez um texto teatral.
Embora a intenção fosse de não enveredar pelos caminhos sinuosos da religião, de acordo com Carvalho, durante o mergulho por cidades como Xapuri, Cuiabá e Porto Velho, o encontro foi inevitável. “Há um forte misticismo no norte do país. Em Brasília, por exemplo, entre os místicos, há uma crença de que a cidade tenha sido construída em cima de um cristal”. O autor destaca também a forte influência que a religião Santo Daime (adepta da bebida amazônica ayahuasca em seus cultos) provocou durante a visita à Brasiléia. Em São Paulo, na Vila Brasilândia, a influência religiosa também não passou despercebida. A trupe deparou-se com uma quantidade enorme de igrejas evangélicas. “Eles estão por toda parte”, conta o dramaturgo.
“TUDO O QUE EU TOCO MORRE!”
Na periferia paulista, além do excesso de igrejas evangélicas, chamou também a atenção do grupo a quantidade de sujeira espalhada por toda a região. “São milhares de pessoas vivendo no meio do lixo”, observa Carvalho. Após a temporada na Vila Brasilândia, ele ficou tão impressionado que aderiu a reciclagem de lixo em seu cotidiano. O impacto também atingiu sua peça. Em BR-3, há uma espécie de alegoria dessa condição predatória do ser humano. “O homem é um suicida irreversível. O planeta está acabando e não paramos de destruir”, analisa Carvalho. Percepção que se torna o dilema vivido por um dos personagens. Jonas (Roberto Áudio), um dos filhos de Jovelina, exclama perplexo inúmeras vezes, como se contemplasse seu destino inalterável: “tudo o que eu toco morre!”.
Para Carvalho, “a desgraceira de Jonas é o emblema de uma nação que sonha há anos com o crescimento, mas que se encontra todos os dias com o caos”. A saga da nordestina Jovelina até a periferia paulista, dessa forma, acaba sendo uma alegoria que trafega da utopia da modernização para a realidade dura, miserável e trágica.
NAVEGAR É PRECISO
Enquanto o público acompanha a trama, durante cerca de 2h20, dentro de uma confortável embarcação chamada Almirante do Lago, que segue desde o Cebolão até a ponte da Rodovia dos Bandeirantes, o elenco esmera-se para manter a atenção de uma platéia sujeita o tempo todo à dispersão estimulada pelas garrafas pet, que bóiam por todo o percurso, pelos caminhões que transitam pelas marginais e, óbvio, pela estranheza da experiência.
A empreitada vertiginosa da trupe de Araújo requer uma produção complexa que envolve monitoramento do nível das águas do rio (conforme a situação de navegabilidade a apresentação pode ser cancelada), logística de barcos e cenários e ainda a atenção ao público. O espectador precisa chegar com uma hora de antecedência a um ponto de encontro localizado no Memorial da América Latina, de onde saem ônibus que levam até o Cebolão.
Além do trabalho que a peça deu em pesquisas e no desbloqueio de entraves burocráticos, como as várias autorizações que precisaram conseguir para executar o projeto, o grupo teve ainda que enfrentar ensaios nada ortodoxos. Segundo Araújo “foram meses para se acostumar com o rio e seu cheiro”. Outro obstáculo foi o dinheiro, BR-3 custou caro. Com um orçamento de R$ 900 mil, sua montagem só foi possível graças ao apoio da Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo e a patrocínios (Petrobrás e Transrio Barcos e Desenvolvimento).
Além de todas as leituras possíveis, BR-3 traz ainda um alento novo ao Tietê. Ao se tornar palco de um espetáculo e, portanto, o centro das atenções, é possível vislumbrar que ele tenha sua importância para a cidade redimensionada. Na mesma semana em que a peça estreou, foram concluídos ampliação e aprofundamento de suas calhas, além de inúmeras obras de saneamento. No entanto, vale lembrar que o Tietê ainda é o destino diário de mais de mil toneladas de lixo, claro alerta de que há muito por fazer por esse rio que, feita a tradução do tupi, ironicamente chama-se água boa. Enfim, um país de contradições.
Serviço
Ponto de Encontro no Memorial da América Latina
(Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, portão 8, Barra Funda, região oeste)
Tel. 3115-0345. Quarta a sexta: 21h. Sábado e domingo: 20h. 140 min. 12 anos.
Ingressos: R$ 40 (ingressos na Fnac Paulista e Pinheiros)
Acesso a deficientes. Até junho.
Fotos:
divulgação
Agência Carta Maior

A crise política, segundo Marquês de Sade

QUARTA PAREDE
Peça do grupo Satyros, em cartaz até junho em São Paulo, faz conexão entre os porões corruptos do poder e o clássico romance “Os 120 Dias de Sodoma”, escrito pelo Marquês de Sade.

Carlos Minuano – especial para Carta Maior

Um dos textos de Marques de Sade, utilizados na atual montagem de “120 Dias de Sodoma”, do grupo Satyros, em cartaz até junho em São Paulo, expõe de forma incisiva a tônica do espetáculo: “Vejo todos os dias, nas ruas, os miseráveis que nada possuem e através da comparação posso dizer: como somos afortunados!”. Aos poucos, ao longo da peça, a França de Sade vai sendo costurada ao Brasil atual. Estabelecida a conexão, não é difícil identificar as semelhanças: corrupção por todos os lados, decadência generalizada das instituições e as, cada vez mais gritantes, diferenças sociais.
Se na França os cambalachos escusos dos poderosos de plantão resultaram em uma revolução, na opinião de Rodolfo García, que assina a adaptação e a direção da peça, por aqui a crise, até o momento, só teve resposta por meio da apatia coletiva, sentimento que somou peso na decisão de encarar a empreitada de trabalhar com um texto tão polêmico: “O teatro não pode permanecer indiferente a um dos períodos mais turbulentos da história política recente e encontramos na obra de Sade várias semelhanças com o momento atual, por isso aceitamos o desafio”, observa García.
Mas, a peça não se fixa a nomes, datas ou a fatos pontuais. O imbróglio político do momento, somado ao texto corrosivo de Marquês de Sade, tornaram-se canais para uma reflexão ainda maior, não apenas sobre nossos horizontes mais próximos, mas também sobre valores que perpassam, inclusive, os limites políticos. “O objetivo não é fazer uma conexão simplista com os fatos atuais”, explica García. “Falamos de uma condição básica do ser humano, ou seja, satisfação pessoal e destruição do que não nos dá prazer”, completa.
ESCOLA DE LIBERTINOS
Inspirado na obra clássica de Marquês de Sade “Les 120 journées de Sodome”, a montagem de “120 Dias de Sodoma”, faz parte da trilogia sadeana que o grupo Satyros iniciou anos atrás com “Filosofia na Alcova” e que deve ser concluída com “Julieta de Sade”, em junho. Considerada pelo próprio Sade uma de suas criações mais complexas e polêmicas, a história narra a insana idéia de quatro libertinos, ligados ao poder vigente, de submeter jovens virgens aos seus mais bizarros desejos. Por trás da trama, a estrutura do pensamento filosófico de Sade, segundo a qual as paixões poderiam ser divididas em quatro classes: simples, complexas, criminosas e assassinas.
Por suas idéias libertinas e em conseqüência de uma vida regada a todo tipo de orgias, Sade, embora filho de uma rica família da aristocracia francesa, passou quase metade de sua vida entre presídios e hospícios. Aliás, foi em um de seus exílios, em uma cela da Bastilha, entre outubro e novembro de 1785, que escreveu “120 Dias de Sodoma”. Com parcos recursos, o manuscrito foi escrito em um rolo de papel de 12 metros de comprimento. O romance, por seu conteúdo subversivo, foi publicado clandestinamente, mas amargou quase dois séculos de proibição e silêncio.
Por suas imersões no pântano perigoso das perversões humanas, a adaptação do romance de Sade apresentou vários obstáculos, entre eles, encontrar um elenco disposto a dialogar com a obra que exigiria cenas de conteúdo fortíssimo com violência sexual, estupro, sodomia, escatologia, torturas físicas e mentais, e claro, a exposição do corpo nas várias cenas de nudez, durante quase todo o espetáculo. A atriz Gabriela Fontana aceitou o desafio, mas conta que enfrentou inúmeras dificuldades. “Precisava estar totalmente disponível e inteira para a peça, pra isso tive que enfrentar alguns fantasmas, por exemplo, perder o pudor que sempre tive com meu corpo e também esquecer meus próprios valores, ao menos durante a peça, pois muito deles são derrubados pelo autor”, revela a atriz.
A PRAÇA É NOSSA
O grupo Satyros, criado em 1989, por Ivan Cabral e Rodolfo Gárcia Vazquez, ocupa hoje duas salas de espetáculos na praça Roosevelt, bem no centro nervoso da capital paulista. A região que há bem pouco tempo era conhecida pela violência e pelo intenso tráfico de drogas, com a presença dos vários teatros, respira hoje outros ares. A convivência harmoniosa entre intelectuais, travestis, atores e os tantos outros personagens que circulam pelo lugar inspirou uma homenagem celebre, assinada pela alemã Dea Loher, que ficou impressionada pela estranha simbiose do lugar.
A peça “A Vida na Praça Roosevelt”, da escritora e dramaturga alemã, montada em 2005 pelo grupo Satyros, rendeu à Gárcia um premio Shell pela direção do espetáculo e também a aproximação com a Alemanha. Enquanto a trupe sadeana prossegue sua temporada em São Paulo, o elenco dessa outra peça, seguiu na semana passada, com os diretores Rodolfo García e Ivan Cabral para uma série de apresentações ao publico alemão. “Eles estão com uma grande expectativa em torno de nosso trabalho, querem saber como a cultura substituiu a violência nas calçadas da Roosevelt”, analisa García. “Também estão curiosos para ver como respondemos a este texto, escrito por uma das maiores dramaturgas alemãs vivas”, completa. Dea Loher ganhou recentemente o Prêmio Brescht de Teatro.
Serviço.
“Os 120 Dias de Sodoma”
Espaço dos Satyros Dois
Praça Roosevelt, 124 – Centro – São Paulo – SP
Quinta a sábado, às 21h e aos domingos 20h30
Ingressos: R$ 35,00
Capacidade: 70 lugares
Informações e reservas: 11 3258 6345
Desaconselhável para menores de 18 anos.

Fotos: divulgação
Agência Carta Maior